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Cerca de 1.500 signatrios

Sociedade civil lana manifesto da conscincia da nao cabindesa

Cabinda O ibinda.com publica na integra o Manifesto da conscincia da nao cabindesa, uma iniciativa da sociedade civil de Cabinda que j recolheu cerca de 1.500 assinaturas.

Introduo

A nossa identidade como Nao foi marcada, nestas trs ltimas dcadas, por uma profunda crise. Esta constatao decorre das adversidades histricas e polticas vividas pelo seu Povo. Essas vicissitudes tiveram o mrito de fazer germinar uma conscincia identitria mais slida, tornando-se o hmus de todo o nosso processo de emancipao poltica. Durante mais de trinta anos, foi-nos imposta a lei da humilhao, deportao, discriminao, mordaa, do chicote, dos maus-tratos e de uma negao insistente e persistente do nosso ser enquanto Povo e enquanto Nao.

Ns, Signatrios deste Manifesto, fazemo-lo com esprito de fidelidade Terra (espao comum), Histria (memria colectiva) e Identidade (rosto especfico). Esta trade realidade, que nos agrega, ultrapassa os aspectos meramente visveis. Da que a nossa misso a de colocarmos ao servio desta nobre causa todo o nosso capital intelectual e afectivo.
Por isso, trazemos ao mundo, de forma clara e inequvoca, a vontade e a determinao que nos animam neste momento decisivo da nossa Histria.


Quem Somos

O Tratado de Simulambuco veio cimentar os traos tnico-culturais da nossa identidade como Nao. Esta foi reconhecida como entidade sui jris pelas potncias coloniais. A Histria assim o atesta. Afirmamo-nos, por consequncia, como legtimos herdeiros dos Reinos de Ngoio, Kakongo e Loango que j existiam muito antes da chegada dos europeus. testemunho disso o disposto na Constituio Portuguesa de 1933, no n/o 2 do seu Art/o 1/o; claramente expresso no mapa prefigurativo da frica da OUA, 1965, onde aparece sob o n 39; e o da Liga das Naes, de 1917, para apenas citar estes. Por outro lado, as diligncias para a independncia dos dois territrios (Angola e Cabinda), ab initio, junto de instncias internacionais, foram feitas separadamente. Neste contexto, Cabinda uma entidade nitidamente separada de Angola, geogrfica e historicamente. Pretender o contrrio, escamotear a verdade da Histria. Esta no mente.


A Nossa Condio

Situaes histricas, impregnadas de injustia clamorosa, integraram Cabinda no Estado Angolano. Isto s aconteceu em 1956, por motivos meramente administrativos, a exemplo doutras potncias coloniais (v.g. Blgica). Comea aqui o nosso calvrio. Uma descolonizao vergonhosa fez de Cabinda oferta, moeda de troca e mais uma vtima de um comunismo desenraizado, desactualizado, descontextualizado, pseudo-humanista, sob capa de um internacionalismo. Instaurou-se um regime tipicamente colonialista que, sob todas as formas, persiste em negar a nossa identidade. De tempos a tempos, vai reciclando, renovando e inovando os seus instrumentos de perseguio, tortura e maquinao poltica, com clemncias, amnistias, integracionismos, memorandos e outros quejandos, envolvidos num manto de falsidade. A guerra em consequncia, continua a sacrificar, inutilmente, filhos Angolanos e Cabindeses. Importa esclarecer opinio pblica que a guerra em Cabinda no fratricida mas, antes, ocupacionista. Ela acarreta um rosrio de atrocidades, mortes e arbitrariedades; populaes rurais impedidas de levar uma vida normal; estrangeiros na prpria terra.

Neste contexto de dominao colonial, no so estranhos fenmenos como o ostracismo e a misria; a espoliao sistemtica e desenfreada dos recursos naturais, mormente o petrleo, a me da nossa desgraa. Este tornou-se mais importante do que o Povo que o pertence. Por isso, orienta:

a) as polticas do empobrecimento: Malongo um antro de injustia, marginalizao e racismo;

b) as polticas de desertificao humana e econmica (transferncias foradas de quadros Cabindeses para Luanda);

c) as polticas de usurpao, conluio e insensibilidade diante do sofrimento do Povo de Cabinda;

d) as polticas de aliciamento e de falsas conversaes: os petro-dlares servem para tudo, importando apenas os dividendos polticos;

e) a presena de empresas e bancos incapazes de deixarem uma marca das avultadas somas que encaixam com projectos de facturao duvidosa e salrios de misria que pagam aos Cabindeses.


O Que Negamos

Os signatrios deste Manifesto declaram-se frontalmente contrrios:

a deixar o nosso destino em mos alheias,
s polticas ensaiadas para adiar sistematicamente a resoluo do diferendo entre Angola e Cabinda,
s tentativas constantes de desfigurar culturalmente Cabinda com a permanente ofuscao e negao da lngua Ibinda e a eliminao, pura e simples, das toponmias autctones,
regenerao do esprito da DISA (Direco de Informao e Segurana de Angola) e dos seus mtodos repressivos tendentes a silenciar figuras e personalidades que no entram no seu quadro de subservincia,
s manobras de diviso no seio da Nao Cabindesa.
ao cerceamento das liberdades fundamentais.


O Que Exigimos

Passaram-se cento e vinte e dois anos, durante os quais Portugueses e, depois, Angolanos manifestaram incapacidade em interpretar, objectivamente, a legtima aspirao da Nao Cabindesa autodeterminao. Independncias recentes quer na Europa quer em frica trouxeram tona uma verdade irrefutvel: a liberdade vlida para todas as naes que por ela almejam. Da serem injustos os eptetos ridculos e despropositados como separatistas, independendistas, etc., quando estamos num contexto de anexao manu militari.

Ns, os Signatrios do presente Manifesto, tendo em conta tudo o que foi dito, feita uma reflexo profunda e amadurecida sobre o actual momento histrico-poltico em que se insiste em falsear o objecto primrio das nossas reivindicaes, exigimos, com todo o peso da responsabilidade histrica que impende sobre os nossos ombros, o seguinte:

o reconhecimento inequvoco do nico objecto das reivindicaes da Nao Cabindesa: a nossa autodeterminao, pois, No une o Homem o que Deus separou (D. Franklin da Costa. Cf. in Sic N).

a criao de um quadro poltico propcio para um dilogo sincero e inclusivo com os legtimos representantes da Nao Cabindesa.

o fim do clima de represso poltica e policial em Cabinda.

o respeito escrupuloso da nossa dignidade como pessoas com direito vida, liberdade (de pensamento, de expresso, manifestao, opinio, etc.).

o fim da guerra ocupacionista e a abertura do caminho conducente a uma paz verdadeira e duradoira.

um novo clima de convivncia, dentro do respeito mtuo entre Cabindeses e Angolanos.


Apelo aos Partidos Polticos Angolanos e Sociedade Civil

O destino do Povo Cabinds tambm vossa responsabilidade. O futuro de Cabinda poder ser, para vs, motivo de orgulho ou de vergonha. Orgulho, se fordes capazes de ajudar a construir, neste Territrio, um futuro de verdadeira paz e de dignidade fraterna; vergonha, se persistir o sentimento de imposio de solues humilhantes e de subjugao deste Povo Irmo, em nome de hegemonismos absurdos e de egosmos de dominao. Pesa tambm sobre os vossos ombros o erro histrico cometido em Alvor, em 1975, que produziu os acordos de triste memria que em tudo morreram, excepto no que a anexao de Cabinda dizia respeito.
Reconhecemos que a vossa aco j tem sido algo notria, porm, preciso mais empenho, mais envolvimento, mais acutilncia, mais frontalidade e mesmo mais verdade. Mais do que o petrleo que acirra ambies, quantas vezes desmedidas, em Cabinda est um Povo com a sua histria, com a sua cultura, com as suas especificidades. No permitais, pois, que a Histria e as geraes vindouras vos julguem e condenem por opes mal feitas e decises deliberadamente mal tomadas.


Apelo Igreja

A Igreja tem um papel histrico imprescindvel na resoluo do conflito de Cabinda. Testemunha-o a sua opo pela justia, pela proteco dos mais fracos e oprimidos. Desde os primeiros momentos, a Igreja, em Cabinda, assumiu-se como proftica. Da as perseguies movidas contra clrigos autctones, na vigncia colonial e a opo pelo exlio, ao lado do Povo. Esta soube tomar a peito uma postura frontal contra a ideologia marxista-leninista, desafiando as autoridades polticas contrrias propagao da f crist. E na esteira da mesma tradio, uma nova gerao de sacerdotes e pastores adoptou, com autenticidade evanglica, a sua misso no seio do Povo, denunciando as injustias.
esta Igreja que queremos. Fiel s suas tradies, livre de compromissos polticos e voltada, inteiramente, para as suas ovelhas.


Apelo Comunidade Internacional

A comunidade internacional tem desempenhado um papel crucial na preveno e resoluo de conflitos entre povos e estados. Pese embora alguma ineficincia, ela , hoje, mais do que nunca, imprescindvel para a paz mundial e para a estabilidade internacional.
Neste contexto, os Governos com interesses em Cabinda devem compreender que a nossa terra no e s petrleo. antes e acima de tudo um Povo, com direito vida e ao usufruto dos seus recursos naturais.
Hoje, a partilha desenfreada da parcela de terra que Deus nos deu, por parte de interesses econmicos estrangeiros, anda de par com o desprezo pelas nossas vidas e nossas aspiraes. Com um olho, assistem, quotidianamente, nossa morte, enquanto, com o outro, somam cifres com as nossas riquezas que levam a troco de nada. Ser que no tm um mnimo de sensibilidade?

Laamos um apelo s Naes Unidas, Unio Africana e Unio Europeia, no sentido de adoptarem, com humanidade e responsabilidade, os mecanismos poltico-diplomticos que visem abrir caminho para a emancipao definitiva da Nao Cabindesa. isto que esperamos.


Apelo aos Pases Circunvizinhos

A instabilidade vivida em Cabinda sempre teve repercusses negativas nos pases vizinhos. A actual poltica angolana, na regio, com maior enfoque no sector da defesa e segurana, decorre, precisamente, do conflito em Cabinda. Acreditamos, por conseguinte, ser do interesse dos nossos vizinhos, com quem partilhamos no s uma fronteira comum, mas tambm a mesma cultura, a pacificao definitiva de Cabinda.
Apelamos, portanto, aos governos dos dois pases que compreendam o nosso drama e encetem, com coragem, mecanismos diplomticos, junto do governo de Angola, para uma soluo digna e justa da questo de Cabinda.


Concluso

A presente iniciativa tende abrir espao a uma nova abordagem do conflito de Cabinda. Ela visa buscar outros entendimentos que passem por uma nova capacidade de dilogo que nos conduza a uma soluo. Esta deve satisfazer as mais ldimas aspiraes da Nao Cabindesa, salvaguardando um futuro de cooperao, com reciprocidade de vantagens.
Queremos construir um futuro livre de traumas, violncia e rancores, acumulados durante estes longos anos de conflito angolano-cabinds.

Por isso, AQUI ESTAMOS, para atestar que as nossas assinaturas representam a vontade do Povo que somos.


Feito em Cabinda, aos 10 de Janeiro de 2008

Assinamos,

(Nota da redaco: confirmamos a recepo do justificativo de cerca de 1.500 assinaturas)

(c) PNN Portuguese News Network

2008-01-15 17:53:06

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