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45 anos da criao da OUA

Dia de frica: Um continente deriva na dignidade

Lisboa A efemride da constituio em Addis Abeba da Organizao da Unidade Africana (OUA), 25 de Maio, assinalada como o Dia de frica. Corrupo crnica, ditaduras, massacres, xenofobia, racismo, so os ingredientes que acompanham esta celebrao reforando os clichs sobre um continente deriva na sua dignidade onde a unidade e esperana so ainda uma miragem.

Porque que frica est a morrer? Na maior parte dos casos, porque est a se suicidar, escreveu Stephen Smith provocando uma avalanche de criticas acusando-o de racista e colaborar com os decrpitos espritos colonialistas.

Qualquer elogio frica misteriosa, bela, sedutora, enigmtica e rica tolerado mas tambm ignorado devido multiplicidade de adjectivos semelhantes sempre colados ao continente Negro. Mas criticar frica um tabu com efeitos devastadores assegurados contra o seu autor. Um exemplo recente deste fenmeno foi o tipo de ataques contra Bob Geldof aps ter denunciado uma realidade da elite angolana.

Na realidade frica tem tudo para ser o continente exemplar do planeta. Riqussimos recursos naturais, intelectuais iluminados, um exemplar patrimnio histrico-cultural, uma variedade geogrfica mpar. Mas mergulha no caos. Os excessos do colonialismo branco passado so reproduzidos hoje na sociedade africana como se fosse o fado natural do povo prescrito pelos seus libertadores. As mximas ditadas durante as lutas pelas independncias em frica so hoje ridicularizadas e pelos prprios dirigentes africanos.

Sobrevoando frica impossvel ficar alheio s particularidades da maioria dos regimes polticos africanos. No Norte de frica apenas a Arglia sobrevive num regime de caractersticas democrticas. A sul do Sahel necessrio procurar meticulosamente os Estados que usufruem de uma verdadeira democracia. Na maior parte dos casos so ditaduras dissimuladas em democracias onde as eleies so meros instrumentos de legalizao de uma eterna nomenclatura no poder, da que cada sufrgio resulta numa vaga de violncia e contestao, fortemente reprimida e silenciada com a bno de outros regimes gmeos.

O significado dos valores dos Direitos Humanos tambm se transforma em frica em humanos com alguns valores mas sem direitos. A distribuio justa das riquezas uma absoluta miragem, e a crise vendida populao como o resultado de feitos nefastos sempre externos e nunca como reconhecimento da incapacidade interna de governar. O racismo, vigorosamente condenado no passado tornando-se no estandarte para a libertao, reaparece sucessivamente no continente com actos de extrema e insuportvel violncia despertando continuamente o regresso aos genocdios raciais e tribalistas.

Hoje quatro grupos se destacam em frica. Os Governantes, absolutamente alheios s realidades dos seus pases, concentram todas as energias na manuteno das suas fortunas e poder, alimentam junto do povo uma sacra e idlica imagem tpica das ditaduras mais ferozes, o Estado uma propriedade privada, defendem os sucessos do desenvolvimento nacional mas enviam os filhos a estudar no estrangeiro e frequentam apenas os hospitais na Europa e Amrica.

Um segundo grupo, composto por uma reduzida classe mdia, instrumentos do poder, suporta as iluses da classe dirigente e fomenta a imagem dos grandes lideres alimentando dogmas e fantasmas passados, imaginando supostos complots externos, como veculo de viciar uma populao num s regime paternalista e omnipresente.

A maioria da populao constitui o terceiro grupo, sobrevive e tenta viver, a primeira vtima dos excessos do primeiro grupo contra o qual no pode se opor abdicando da dignidade e dos valores aclamados nas proclamaes das independncias. Por fim, o quarto grupo, que no acredita na palavra futuro ou esperana, aposta no salto para a emigrao, frequentemente para a ex potncia colonizadora, como a ultima arma de sobrevivncia pessoal e familiar, uma iluso que na maior parte dos casos resulta num fracasso e na humilhao.

O Dia de frica deveria ser a ocasio do continente se debruar sobre ele mesmo e em vez de ovacionar migalhas de sucesso reservado a uns, reflectir que o fiasco da OUA, criada a 25 de Maio de 1963, que em 2002 morreu e ressuscitou na Unio Africana, foi o primeiro sinal que as instituies africanas e os seus governantes tambm falharam e no cumpriram as promessas que dignificaram as lutas de independncia.

Enquanto a maior parte dos dirigentes africanos asfixiam e destroem o continente, a populao d um novo folgo e salva frica, impem-se atravs da msica e da dana que atinge hoje os maiores ndices de popularidade mundial tornando-se numa referncia artstica, difundem a arte que fora considerada injustamente como arte primitiva hoje defendida e patente em lugar de honra nos mais prestigiosas galerias e museus, destacam-se em todas as modalidades desportivas, fazem da gastronomia um embaixador de sabores nicos, e impem-se na literatura como veiculo de contar a singularidade e a pluralidade africana.

Ningum pode prever o futuro prximo do continente africano, terra onde numa fraco de segundo uma fasca se transforma num devastador meteorito. A longo prazo frica vai certamente se descobrir, abandonar os argumentos e os bodes expiatrios da fatalidade, uma nova gerao emergente j est a arregaar as mangas para provar que ser independente no depender das iluses de uma velha nomenclatura no poder assente numa efmera auto sacralizao.

Rui Neumann

(c) PNN Portuguese News Network

2008-05-25 11:19:42

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