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Aco do MPLA em Cabinda vai reforar a guerrilha

Cabinda - Analista em Cabinda, que por motivos de segurana pediu anonimato, considerou em entrevista ao Ibinda.com que o estrangulamento econmico e perseguio de personalidades, que est a aplicar em Cabinda, vai fomentar um reforo da guerrilha.

Observadores mais optimistas pensavam que o MPLA poderia mudar de postura em Cabinda, tendo em conta o seu desaire eleitoral. Outros, no entanto, mais pessimistas, eram de opinio que isto jamais iria dar-se considerou o analista contactado pelo Ibinda.com. Primeiro, porque o MPLA foi o nico partido durante a campanha eleitoral que jamais apresentou um projecto para Cabinda. Segundo, o MPLA sempre pensou que a melhor maneira de manter-se em Cabinda era com basto. Este usado de muitas maneiras, mas tendo algumas variantes permanentes: privilegiaria, promoo de marionetas cabindas, obras de fachada, massificao partidria, ocupao militar e sufocamento econmico. Por isso, todos estavam atentos para ver o que o MPLA iria fazer logo aps as eleies, apesar de todos prognosticarem que no faria nada de mau muito vistoso antes das eleies presidenciais, para no acicatar ainda mais os cabindas.

Os optimistas enganaram-se, considerou, e os medos dos pessimistas ficaram aqum da dimenso e da cronologia pensados. Segundo o mesmo analista politico o reconduzir a malta de Bento Bembe aos seus postos anteriores, dando-lhes vices com maior poder e saber, veio dizer aos cabindas que o MPLA no estava nada disposto a abrir espao para dialogar com os verdadeiros filhos da terra. Bento Bembe, nos seus discursos contestveis, apoiando as imposturas do Chefe do Estado-maior, era um sinal de alarme: o MPLA tinha fechado as portas outra qualquer soluo que no fosse quela de ajoelhar-se diante da integrao angolana. Foi esta mensagem que os maiorais do MPLA do Sinfo deixaram no ar aquando da inaugurao do monumental prdio para o Sinfo na cidade de Cabinda: a carta que estiver fora do baralho est definitivamente. Alis, a condenao de Fernando Lelo j antevia este cenrio.

O MPLA, contudo, mesmo tendo em conta as presidenciais, est a procurar limpar o terreno de qualquer sombra inimiga que se mexe.

Primeiro, intensificou o empobrecimento do povo de Cabinda at sufocao. No s continua a negar construir um porto de guas profundas, mas como colocou a sorte dos cabindas nas mos quer dos zairenses a quem deu todo o comrcio informal, matando toda e qualquer lojinha ou outra iniciativa de um Cabinda com a sua polcia econmica quer com os congoleses que no se cansam em pedir taxas astronmicas para mercadorias ou viaturas em trnsito.

Um Cabinda desfazia-se em altos gritos de desespero, quando, em Ponta Negra, a alfndega lhe exigia um valor superior mercadoria que tinha comprado em Dubai testemunhou o mesmo analista, que afirma: Neste momento, esto no porto de Ponta Negra mais de dois mil contentores para Cabinda, cujos proprietrios, muitos deles, no tero dinheiro para os desalfandegar. E, como se isto no bastasse, vai dificultando a vida s empresas mais ou menos bem-sucedidas em Cabinda. Conta-se que a EMCICA, a maior empresa construtora de Cabinda, s consegue ter obras com uma cunha em Luanda. A Oraf tem os armazns secos, a Impex tem os contentores a apodrecerem e o Simbila, o maior minimercado, est a atravessar o deserto; v a vida continuamente bloqueada, complicada e entorpecida. O MPLA tem medo que o Cabinda se torne rico. Assim vai ajudar a guerrilha.

Segundo, sub-repticiamente, vai dificultando a sobrevivncia de alguns fazedores de opinies, sobretudo, aqueles que nas eleies corporizaram, de longe ou de perto, a revolta do povo. Agostinho Chicaia desde h muito tempo que no consegue encontrar onde trabalhar, mesmo como engenheiro agrnomo que a sua formao. Os padres Tati e Pambo tm a sua vida, como docentes, dificultada e a fio no ISCED (Instituto Superior de Cincias de Educao) e na UPRA (Universidade Privada de Angola). O responsvel desta tem resistido at agora s investidas do MPLA e da eterna Casa Militar para pr fora os dois sacerdotes, Lanzo Tati e Xavier Soca Tati.

Segundo o analista entrevistado pelo Ibinda.com ningum admirar se, nos prximos dias, Rui Mingas, como bom MPLA, primo de Kopelipa e Filomeno Vieira Dias, puser definitivamente padre Jorge Congo e o Dr. Luemba fora da Universidade Lusada, em Cabinda. Seria uma boa demonstrao de subservincia ao poder para as suas pretenses seculares de ser governador de Cabinda considerou.

Estas medidas vo sendo acompanhadas de actos de suma violncia como o brbaro assassinato do comandante Maymona, doente e incapaz de se defender ao mesmo tempo que vai procurando semear a confuso e a desinformao, promovendo, enchendo de carros e dlares homens como Zenga Mambu, Joo Mabiala que, em nome da FLEC e de um pretenso nacionalismo, vo semeando e propalando um discurso de cariz tribal, visando a destruio dos inimigos de predileco do MPLA.

Estes factos revelam que o MPLA no est e nunca estar no corao dos cabindas e que ainda no aprendeu que a violncia no resulta, quando um povo est determinado a libertar-se de um colonialismo pior que aquele portugus, concluiu.

(c) PNN Portuguese News Network

2008-10-19 18:08:22

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