Links Úteis
Confidencial

Subscrever Newsletter

Comunicados

10 de Março de 2009

FLEC - Assina: Martinho Lubango

NOTA DE IMPRENSA

A Frente de Libertação do Estado de Cabinda-FLEC, vem por este meio junto das autoridades portuguesas e do povo português exprimir o seu apreço pela observância dos valores democráticos em Portugal e pleno exercício de soberania pelo povo português, que a 1 de Fevereiro de 1885 foi recebido pelo povo Cabinda com braços abertos e com o qual rubricou o Tratado de Simulambuco que permitiu a Portugal de estabelecer-se e exercer domínio sobre o território de Cabinda, tendo em contra-partida prometido aos Cabindas auxilio e protecção; respeito pelos seus representantes reconhecidos pelos povos segundo as suas leis, usos e costumes; e garantir a integridade do território colocado sob seu protectorado.

Decorridos 90 anos, em 1975, Portugal não só violou o Tratado de Simulambuco, mas também traiu os cabindas entregando o território como um anexo a Angola sem previa consulta aos cabindas, o que se considera ser a pior trapaça politica protagonizada pelos representantes de Portugal.

Os cabindas entendem que os actuais governantes de Portugal não são os responsáveis directos desse ignóbil acto que destruiu Cabinda e alterou a vida do Homem Cabinda de forma draconiana, mas, irrefutavelmente declaram que detêm responsabilidade moral desse acto herdado dos seus predecessores ao qual não apresentam sinais de sensibilidade e engajamento para mitigar o martírio do povo Cabinda.

Assiste-se, pelo contrário, um apoio multifacetado dos governantes de Portugal a Angola, facto que os colocam em posição de conivência sobre o drama cabindês, reflectido no respaldo internacional e proteccionismo dispensado a Angola na arena internacional, que reconhecemos contrastar com a posição de algumas personalidades portuguesas independentes e de boa parte do povo português que em várias ocasiões se pronunciou favorável ao envolvimento e mediação portuguesa para a solução da questão de Cabinda.

Não pedimos aos Governantes de Portugal de corrigir a história, mas sim apenas de encarar com humanismo e coragem as distorções causadas pelas suas políticas de aliança com Angola e usar das suas prerrogativas como ex-potencia colonial de Angola e protectora de Cabinda empreendendo esforços visíveis de solucionar o que foi criado por Portugal e vitima o povo Cabinda, tal como assumiu com Timor Leste.

É peculiar que depois de alguns anos de interdição dos actos comemorativos do Tratado de Simulambuco, o Governo angolano tenha reconsiderado a comemoração da data, mas sem a presença da outra parte, Portugal.
Angola não tem a ver com o Tratado de Simulambuco que só engaja Cabinda e Portugal; e pensamos que ao aceitar o dia 1 de Fevereiro como Dia da Identidade Cabinda e que os actos comemorativos do Tratado de Simulambuco sejam celebrados, seja quais forem os seus argumentos, explicitamente, Angola formulou um convite a Portugal de assumir o seu lugar na história do povo Cabinda.

Por isso, consideramos ser oportuno que a visita a Portugal do Presidente de Angola, Senhor José Eduardo dos Santos fosse uma ocasião para o Presidente de Portugal Senhor José Aníbal Cavaco e Silva convencer Angola a abdicar da via da violência e da corrupção de indivíduos não representativos e de elementos frustrados de todas latitudes que denotam comportamentos patológicos como consequência da sua insatisfação social, da qual o Governo de Angola é o único responsável; e primar pela solução da questão de Cabinda por via do dialogo e negociações transparentes.

Lamentamos o facto de Portugal não interpelar a Comunidade Internacional a reagir a favor da justiça e paz em Cabinda; e de deixar a mercê de uma oligarquia prepotente o destino do povo Cabinda que hoje continua a lutar pelo seu direito à autodeterminação e independência, não obstante os actos caricatos e o descaramento do regime do MPLA que impudentemente se mostra controverso a si próprio ao ponto de substituir cabindas por congoleses durante as eleições angolanas de 5 e 6 de Setembro de 2008, em Cabinda, para legitimar o seu poder. Isso foi denunciado, com provas, pelos Cabindas e pelos observadores da União Europeia.

Exortamos aos democratas de Portugal e ao Mundo Livre de se engajar e situar-se nas páginas recentes da história da humanidade, contribuindo na busca de uma solução negociada, justa e duradoira do conflito em Cabinda, chamando o Governo de Angola à razão, e insta-lo a parar com as violações dos direitos humanos e todas as formas de repressão em Cabinda, que se configuram num verdadeiro estado de sítio não declarado, e se engaje com sinceridade e transparência na solução do conflito conforme o desejo já expresso pelo povo de Cabinda e aplaudido oportunamente pelos angolanos de boa-fé através dos partidos políticos, ONG’s e personalidades que se têm pronunciado sobre esta matéria.

Recordamos a Portugal e aos países desenvolvidos, sobretudo, os Estados Unidos da América com grandes interesses económicos em Cabinda que têm uma responsabilidade histórica e moral de ajudar na solução do conflito em Cabinda e na protecção do seu povo da hegemonia megalómana de Angola, novo “gendarme” da África Subsaariana, nova ipso-potência que ironicamente teme dialogar com os fracos, que pelos seus actos se assume, agora, como um factor de desestabilização e insegurança no Continente e um perigo à continuação da existência do Homem Cabinda, atendendo a nova táctica de decapitação dos cabindas em curso no território que se estende aos países vizinhos de Cabinda (RD Congo e Congo-Brazzaville); e garantir a segurança internacional.

Sem humanismo e defesa da justiça e dos fracos; a lei, e as realizações dos países desenvolvidos seriam diluídas na selvajaria, fora dos seus territórios, e pensamos que isso deve ser preservado como património em todas partes do mundo, incluindo Cabinda.

O Secretário das Relações Exteriores e Negociações
Martinho Lubango

(c) PNN Portuguese News Network

2009-03-10 23:39:27

MAIS ARTIGOS...
  Associação Tratado de Simulambuco
  FLEC - Assina: Nzita Henriques Tiago
  FLEC - Assina: António Luís Lopes
  FCD - Assina: André Kuango
  FLEC - Assina: Henriques Tiago Nzita
  FLEC - Assina: Isaïas Abdengo Mabiala e Antoine Nzita Mbemba
  Associação Tratado de Simulambuco
  FLEC - Assina: Joel Batila
  COMUNICADO / NECROLOGIA
  Assina: Raul Danda
  Conferência de Agostinho Chicaia
  FLEC - Assina: Nzita Henriques Tiago

Comentários

Nome:

E-mail:

Comentário:


Comentários
  
Salviano  2011-07-18 12:27:36
Para mim, este representa o unico documento com conteudo politico emitido pela FLEC que ja li em termod diplomaticos. Seria honoravel que Portugal acertasse o passo desajustado em Cabinda. Se a FLEC estiver de acordo como se pode entender aqui, entao porque nao ajudar? O MPLA que governa Angola devera entender que nao se lhe permitira matar os Cabindenses como quer, isso tera um fim. E, pode ser agora com dialogo e negociacoes.

malaquias  2011-03-28 13:35:19
forca

PROVÉRBIOS
"Kupódi túmuka ko: Nti ava kaménina."
(Ninguém pode arrancar: A árvore (adulta) que já tem raízes.)
Outros
Relatório da Mpalabanda 2005 (pdf)

Relatório da Mpalabanda 2004 (pdf)

Entrevista de Dom Duarte ao IBINDA.COM
Cartoon
Hospedagem de Sites Low Cost Jornal Digital Luanda Digital Bissau Digital Jornal de São Tomé Timor Leste Cabo VerdeMaputo Digital
Notícias no seu site Recrutamento Estatuto editorial Ficha técnica Contactos Publicidade Direitos autorais