Links teis
Confidencial

Subscrever Newsletter

Poltica

Aps os ataques de 08 de Janeiro

Cabinda face s suas contradies

Lisboa - Depois de uma longa fase de silncio, o caso de Cabinda regressou em fora. Os dramticos acontecimentos do 08 de Janeiro contra a seleco do Togo provocaram uma vaga de comunicados, acusaes, reivindicaes e teses que afogam o problema de base.

Depois de um tsunami meditico Cabinda est agora face s suas contradies. Por um lado no est, ainda, esclarecida a autoria do ataque, por outro vrios reivindicam e desmentem a aco.

No interior do movimento liderado por Nzita Tiago tambm as teses diferem. Uma ala da direco da Europa defende que o ataque foi uma maquinao de Angola, outra assume o acto. Em frica a guerrilha ora defende que a operao foi uma consequncia do descontentamento da populao, ora assume plenamente a autoria da emboscada.

Outras teses ajudam a alimentar as contradies. Aps o ataque no Massabi, Rodrigues Mingas reivindica de Frana, em nome da recm criada FLEC-PM, a operao, onde sublinha: Esta operao comando apenas o incio de uma srie de aco orientada que vo prosseguir-se sem interrupo sobre o conjunto do territrio de Cabinda (sic). Mas, o comando militar da FLEC/FAC no Massabi garante que nunca viu guerrilheiros de outro movimento a operar na regio.

Fontes prximas do Governo angolano defenderam tambm a tese de que a operao contra a equipa do Togo teria, supostamente, sido uma aco para incriminar a FLEC descredibilizar Bento Bembe e permitir a Luanda de intervir massivamente no enclave, sem dar hipteses a negociaes ou dialogo, ou seja resolver belicamente a questo de Cabinda.

Os acontecimentos do 08 de Janeiro justificaram tambm as mais intempestivas declaraes e acusaes. insinuada a responsabilidade francesa, dado que a Frana alberga uma parcela da direco poltica da FLEC. Os Congos, Brazzaville e Kinshasa, tambm no escaparam a acusaes semelhantes e os laos luso-angolanos foram considerados, pela FLEC na Europa, colateralmente cmplices na aco.

Surgem tambm declaraes que indicam a existncia de mandatos de captura internacionais da Interpol e de Frana contra os responsveis do ataque. A Interpol desmente e a Frana, alm de um comunicado do Ministrio dos Negcios Estrangeiros, no tem, efectivamente, qualquer aco em curso contra os dirigentes da FLEC e desconhece o paradeiro de Rodrigues Mingas. A nica aco judicial confirmada das famlias das vtimas togolesas que apresentaram queixa em Paris contra a FLEC-PM, Estado angolano, CAF (Confederao Africana de Futebol) e o seu presidente Hayatou Issa,

O padre Raul Tati, Belchior Lanso Tati, o advogado Francisco Luemba, Andr Zeferino Puati e Benjamim Fuca, todos civis, tornaram-se nos nicos detidos de uma aco que consensualmente foi atribuda guerrilha. Paradoxalmente, Raul Tati, Belchior Lanso Tati e Francisco Luemba pertencem corrente que defende uma soluo conjunta e pacfica para a questo e a necessidade de todas as partes dialogarem. Com este intuito estabeleceram contactos e tornaram-se na ponte que permitiria a abertura de conversaes preliminares.

Belchior Tati garantira o correio entre ambas as partes. A 21 de Julho de 2009, Nzita Tiago, presidente da FLEC, confiara em Paris a Belchior a misso de contactar Jos Eduardo dos Santos com o objectivo de por fim guerra em Cabinda e negociar uma soluo pacifica. Ainda em Frana, Belchior envia um e-mail ao assessor do Presidente angolano, Santana Pitra Petroff, onde transmite a pretenso de Nzita Tiago. Petroff, em resposta, sublinha a importncia de ser transmitida ao Camarada Presidente a missiva do lder da FLEC e termina a carta pedindo a Belchior que transmita a Nzita os seus cumprimentos e votos de boa sade e felicidades. Desde a deteno de Belchior, Santana Pitra Petroff ainda no confirmou se a missiva foi entregue ao Chefe de Estado angolano e no se pronunciou sobre as detenes em Cabinda.

Depois de insistir, desde 2006, que no havia guerra em Cabinda e que a FLEC desaparecera, Antnio Bento Bembe, alterou o discurso e passou a qualificar os seus antigos camaradas de armas de terroristas incitando que seja lanado um mandato de captura internacional contra os autores do ataque, esquivando-se todavia de esclarecer se o mandato de captura internacional, lanado pelo juiz americano Thomas Hogan e confirmado por Condoleezza Rice, de que ele mesmo realmente alvo j foi ou no revogado.

O fracasso da incitativa de Bento Bembe, e da sua equipa, no momento da assinatura do Memorando de Entendimento, agora reflectido na composio do novo Governo angolano. Bento Bembe de Ministro Sem Pasta passa a Secretrio de Estado para os Direitos Humanos, e Jos Inocncio Gualter substitudo por Anbal Octvio Teixeira da Silva como Vice Ministro dos Petrleos e desce para Vice Ministro para a Administrao.

Na dana das contradies algumas questes ficam por esclarecer. Por exemplo: A aco do 08 de Janeiro, segundo testemunhas, ter durado 15 a 20 minutos de fogo intenso, e mesmo 30 minutos, segundo o testemunho do capito da equipa togolesa Wadja, e teria provocado duas vtimas mortais togolesas, Amlt Abalo e Stan Ocloo. O motorista angolano foi indicado como morto e posteriormente como um sobrevivente gravemente ferido. Num tiroteio intenso, de 15 a 30 minutos, com guerrilheiros face a face segurana angolana, no meio de dezenas pessoas da comitiva togolesa e de populares, no so registados feridos nem outras vtimas mortais.

Tambm, Angola anunciou a captura de dois presumveis guerrilheiros que teriam reconhecido a participao na aco, mas no falou mais no assunto e no apresentou o resultado das suas investigaes, quando se aproxima um ms que ocorreu o ataque no Massabi. Em vez de guerrilheiros detidos esto civis reputados pela sua insistncia na busca de uma soluo pacfica para questo de Cabinda. Um assunto que certamente ocupar uma parte importante da agenda do novo Secretario de Estado para os Direitos Humanos.

Rui Neumann

(c) PNN Portuguese News Network

2010-02-05 15:25:33

MAIS ARTIGOS...
  Morreu Nzita Tiago, líder histórico da resistência cabindesa
  Guerrilha em Cabinda anuncia novos ataques no enclave
  Guerrilha cabindesa anuncia retoma da via militar
  Guerrilha cabindesa ataca em Buco Zau
  Emboscada da guerrilha causa a morte de três soldados angolanos
  FLEC pede a Marcelo Rebelo de Sousa para terminar o processo de descolonização portuguesa
  Cabinda: FLEC/FAC exige a libertação de Marcos Mavungo
  Cabinda: Raul Tati e Francisco Luemba libertados
  França: Dois juízes antiterroristas querem a detenção de Rodrigues Mingas
  Cabinda: José Eduardo dos Santos demite e readmite Macário Romão Lembe
  Suíça: Manifestação cabindesa em Berna
  Cabinda: Ataque da resistência amplifica divisões na FLEC

Comentrios

Nome:

E-mail:

Comentrio:


Comentrios
  
Gaspar Pucuta  2011-09-16 13:51:59
Eu so filho de Cabinda sei muitissimo bem devido da riqueza que estamos a sofrer,mais a Opiniao Internacional deve saber que Deus existe, ate Sudao foi um pais inteiro agora se dividiram quantas vezes Cabinda em Angola.Nos queremos a paz total na Provincia ou no Enclave.A paz de Bento Bembe nao e verdadeiro porque o povo ate agora sofre em todos quantos de Cabinda.Eu ja andei quanse nas Provincias que dito Angola nao existem mas militares nas Aldeias nem patrulho. So em Cabinda que tudo isso existem.Enquanto que as pessoas falam que Cabinda esta em paz de Bento Bembe.O Presidente da Republica de Angola Conhece bem o Leader da F.L.E.C/F.A.C,porque nao quer sentar com Ele para ter uma conclusao final da Provincia? E o povo qeu esta a sofrer nao sao Eles nos como Cabindas queremos a paz total,somos Africanos qual e problemas maior que nao vamos de entender? Qual e o papel da O.U.A? O povo para ir nas lavras e dificil a forca do governo sempre atraz da populacao, tudo isso que significa falta de intendimento total no Enclave de Cabinda.

PROVRBIOS
"Kupdi tmuka ko: Nti ava kamnina."
(Ningum pode arrancar: A rvore (adulta) que j tem razes.)
Outros
Relatrio da Mpalabanda 2005 (pdf)

Relatrio da Mpalabanda 2004 (pdf)

Entrevista de Dom Duarte ao IBINDA.COM
Cartoon
Hospedagem de Sites Low Cost Jornal Digital Luanda Digital Bissau Digital Jornal de São Tomé Timor Leste Cabo VerdeMaputo Digital
Not�cias no seu site Recrutamento Estatuto editorial Ficha técnica Contactos Publicidade Direitos autorais