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O choque das exoneraes

Cabinda: A resistncia em guas turvas

Lisboa Nzita Tiago estava longe de imaginar que celebraria o seu 83/o aniversrio no meio de uma grave crise no interior da FLEC em frica que afectaria os alicerces do seu movimento.

A deciso de reformar o presidente da FLEC, Nzita Tiago, assinada pelo vice-presidente do movimento, Alexandre Tati, e do histrico Chefe de Estado-maior, Estanislau Boma, provocou uma crise sem precedentes na resistncia cabindesa.

Em Agosto de 2004, Helvoirt na Holanda, os dois principais movimentos armados da resistncia cabindesa, FLEC/FAC e FLEC Renovada, lideradas por Nzita Tiago e Antnio Bento Bembe, decidiram optar pela fuso como a derradeira soluo para garantir a sobrevivncia da resistncia.

A dissidncia de Bento Bembe, 2006, juntamente com os seus aclitos da extinta FLEC Renovada provocou uma efmera crise no movimento que regressou ao estado de 2004 no abalando contudo a sua estrutura. Na realidade a fuso nunca existira de facto e apenas alguns representantes na Europa decidiram juntar sinergias diplomticas obtendo parcos resultados, na realidade j viciados por uma aco paralela secreta da ala dos da Renovada.

O que poderia ter sido um tsunami na FLEC, com a dissidncia de Bento Bembe, no passou de uma pequena tempestade tropical. O segredo da longevidade do movimento baseava-se nos seus alicerces em frica, a guerrilha, que mantinha posies no interior do enclave. O brao armado da FLEC era assim reconhecido como a coluna vertebral do movimento e o sustento da legitimidade das representaes na Europa que o padre Joo Baptista Ngimbi as definira como a resistncia de canap dada a sua inrcia e dislexia comunicativa com os operacionais em frica.

A incomunicabilidade Europa/frica abrira um fosso entre o grupo dos representantes e os militares, os quais j no aceitavam de bom grado que os elementos na Europa decidissem por aqueles que estavam na mata. A cyber-guerrilha, arma favorita dos elementos da FLEC no exterior de frica, assente na difuso macia de comunicados, opinies e declaraes, frequentemente injuriosos e difamatrios, que danificaram fortemente a imagem da FLEC, justificou que as chefias militares da FLEC organizassem uma delegao que subitamente deslocou-se a Frana, onde residem os principais elementos da direco, e constatar in loco a anrquica realidade.

Aps duas viagens capitais a Frana e uma longa hesitao, alimentadas por mltiplas reunies em frica, o nmero dois do movimento, Alexandre Tati, e o histrico chefe militar Estanislau Boma, decidiram, a revelia dos estatutos da FLEC, exonerar em bloco todos os representantes do movimento no exterior e reformar o intocvel lder Nzita Tiago. A par com os dois responsveis, aliaram-se os principais chefes militares da guerrilha.

Energeticamente Nzita Tiago acusa os seus ex-fieis de traio e emite um comunicado a 30 de Junho onde destitui Alexandre Tati e Estanislau Boma alm de Carlos Moiss, chefe da segurana, e Luis Veras, encarregado das misses da Presidncia. Apesar de no serem citados, num e noutro documento, foram tambm afastados outros chefes militares histricos que se solidarizaram com o vice, considerados como peas vitais no xadrez logstico da luta armada em Cabinda.

Por prudncia Nzita Tiago no nomeou substitutos para os postos vagos. Mas tudo indica que a experincia de um vice-presidente terminou com Alexandre Tati. Por outro lado a FLEC encontra dificuldades em escolher novos chefes para as regies militares. Mauricio Lubota Sabata, comandante da Regio Militar de Miconje e Chefe Adjunto da Frente Norte, que se manteve fiel a Nzita, declarou que ficou surpreendido com a deciso de reformar o presidente Nzita Henriques Tiago durante uma reunio que decorreu de 20 a 22 de Junho assim como a declarao do chefe do estado-maior, Estanislau Boma, na imprensa de 29 de Junho.

Segundo Sabata, durante a reunio muitos assuntos foram debatidos mas j se sentia que a notcia que pairava tendo sido abordada tambm uma eventual rendio que os combatentes negaram. Na mesma ocasio muitos esclarecimentos deram sobre informaes circulavam dos contactos entre os responsveis do MPLA e da FLEC.

Fontes prximas da ala fiel a Nzita Tiago afirmam que Angola deu muito dinheiro direco da FLEC para comprar a conscincia do combatente tendo circulado o rumor que cada combatente iria receber cinco mil dlares por ms. Em Fevereiro, indicam as mesmas fontes, alguns guerrilheiros teriam sido aliciados com 500 dlares, com excepo dos combatentes da Regio do Necuto que teriam recebido mil dlares cada. Existe uma gravao numa cassete em posse do Vice Ministro da Segurana Nacional da FLEC, solidrio com Tati, que supostamente a prova das alegaes sobre o aliciamento financeiros dos guerrilheiros.

Independentemente das acusaes, exoneraes reciprocas, contactos e reunies discretas, est em curso a mais grave ciso na FLEC das ltimas duas dcadas. Agravada pelos actores da ruptura que constituem os alicerces histricos armados do movimento.

Aos 83 anos Nzita Tiago tem mais uma batalha pela frente. A manuteno da sua autoridade no movimento e uma reestruturao radical da hierarquia militar da FLEC que se encontra agora decapitada e desestruturada na sua base africana.

Por outro lado, Tati e Boma, tentam reunir apoios para legitimar a sua incitativa mas principalmente de no serem acusados de porem em prtica uma segunda verso do fiasco da estratgia de Bento Bembe apresentada aos guerrilheiros, pelos signatrios da exonerao de Nzita, como uma catstrofe diplomtica e traio absoluta causa cabindesa.

A FLEC, como marca, vai sobreviver ciso, tal como sobreviveu desde 1963 ao seu repetido desmembramento em dezenas de FLECs. Todavia, a sua sobrevivncia militar pode estar em causa, fruto dos revezes combativos, fraqueza da aco diplomtica e da sua falncia financeira. Mas, a sobrevivncia doutrinal, assente no esprito nacionalista cabinds, anterior ao nascimento da FLEC, permanecer e ser o severo crtico das decises que se tomam no presente.

Depois de ver desfilar Tiburcio Luemba, Ranque Franque, Bento Bembe, Luanda aguarda pacientemente, mas no inocentemente, o eplogo da actual crise da FLEC.

Rui Neumann

(c) PNN Portuguese News Network

2010-07-13 19:20:33

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