Links teis
Confidencial

Subscrever Newsletter

Poltica

Todos querem negociar

Cabinda: Guerra Fria no interior da guerrilha

Lisboa Aos 83 anos, Nzita Tiago, lder histrico da resistncia cabindesa, ora aclamado e exaltado, ora exonerado e desmistificado. Uns querem o presidente vivo e outros em mrmore. As duas alas que emergiram na FLEC defendem objectivos comuns, estratgias semelhantes, mas declaram reciprocamente uma Guerra Fria.

A Frente de Libertao do Estado (ex Enclave) de Cabinda (FLEC) esta mergulhada numa bicefalia mpar onde Estanislau Miguel Boma e Gabriel Nhemba Pirilampo reivindicam a legitimidade do posto de Chefe de Estado Maior e ambos defendem a figura de Henriques Nzita Tiago, como Presidente honorrio e o segundo como legitimo Presidente em funes.

A bicefalia atinge tambm os objectivos do movimento atingido pela ciso de facto. O ltimo comunicado de Estanislau Boma e Alexandre Tati, ex vice Presidente, lana fugazmente a designao de FLEC interior que os distancia de uma FLEC exterior composta pelos representantes do movimento no estrangeiro, especialmente na Europa, exonerados em bloco pelas chefias militares.

O futuro poltico do lder histrico da FLEC, Nzita Tiago, outro ponto de simultnea concrdia e discrdia. Ambos os campos evitam excluir definitivamente a figura do patriarca da resistncia. Tati e Boma decidiram reformar o Presidente e conceder-lhe poderes virtuais. Os fiis de Nzita, entre os quais o recm-nomeado CEMG, Pirilampo, consideram que a exonerao do Presidente ilegal luz dos estatutos do movimento e o Velho permanece o chefe.

Todavia ambos os campos defendem vises comuns e estratgias semelhantes: A crise interna na FLEC no pode ser considerada como um golpe de estado ou ciso; uma reforma no organigrama da FLEC necessria, a qual permitiria de dar um novo folgo a uma diplomacia moribunda sem resultados prticos; manuteno do cessar-fogo unilateral anunciado por Estanislau Boma pouco dias aps o ataque delegao da equipa de futebol togolesa a 08 de Janeiro; disponibilidade para negociaes com Angola financiadas por Luanda.

Apesar dos pontos comuns as duas alas divergem nos mtodos. Os fiis de Nzita defendem que qualquer alterao nas estruturas da FLEC dever ser efectuada aps concertao do Nkoto Likanda (Conselho do Povo de Cabinda criado em 2004 na Holanda), maioritariamente defendendo a manuteno dos combates no enclave, mas considerando que o actual cessar-fogo necessrio. Nzita Tiago insiste na realizao de uma reunio inter-cabindesa onde deveriam ser definidas as bases das propostas a apresentar em futuras negociaes com Angola assim como o Estatuto Poltico de Cabinda. A mesma corrente recusa que o seu interlocutor angolano seja o ex camarada de armas, e ex lder da resistncia, Antnio Bento Bembe, receando serem integrados e associados iniciativa do Memorando de 2006 que tanto condenaram.

Na tentativa de evitar a ciso da ala militar da FLEC, coluna vertebral da resistncia, Nzita, por um lado exonera os histricos Alexandre Tati, Estanislau Boma, Jos Veras e Carlos Moiss Rtula e por outro promove os veteranos Joo Baptista Ngimbi Sem Famlia e Silvestre Luemba quando estes permanecem solidrios com as posies de Tati e Boma e no reconhecem autoridade do Presidente.

Com o objectivo de oficializar as mudanas estruturais no movimento e preparar uma contra-ofensiva, foi convocada para 20 de Agosto na capital francesa, Paris, uma reunio extraordinria do Nkoto Likanda.

O crculo de Alexandre Tati defende que o fiasco da aco diplomtica dos representantes na Europa e a situao de colapso financeiro da FLEC no permitem ao movimento prosseguir os combates sendo assim necessrio prolongar sine die o cessar-fogo unilateral. As negociaes, j em curso, so assim necessrias independentemente do interlocutor que Angola impor, seja Antnio Bento Bembe, Vieira Dias Kopelipa ou Jos Maria. No consideram tambm um tabu que as reunies preliminares, preparatrias das negociaes, decorram em Luanda e que estas sejam financiadas por Angola. Contudo, simbolicamente, a assinatura de um acordo dever decorrer num pas terceiro, preferencialmente africano e nunca assinar a paz da provncia do extremo norte angolano na provncia do extremo sul de Angola, Namibe, como aconteceu com a equipa de Bento Bembe.

Para Angola as convulses na FLEC e eventuais negociaes so problemas secundrios e menores. Prefere lanar oficialmente Bento Bembe para o foco das atenes, como se tratasse de um negcio entre cabindas, mantendo-se oficiosamente nos bastidores controlando todas as etapas e movimentaes. Em caso de fiasco a responsabilidade ser atribuda exclusivamente a Bento Bento que assumir as consequncias. O sucesso ser interpretado como o prolongamento do Memorando de Entendimento de 2006, consequente da pacificao poltica de Cabinda exigida pelas ONG internacionais, e uma vitria do presidente angolano, Jos Eduardo dos Santos.

Para Antnio Bento Bembe a perspectiva de futuras negociaes com a ala militar da FLEC so encaradas como o sucesso da sua contestada iniciativa de 2006. No entanto so reveladoras do fiasco das negociaes e declaraes de Bento Bembe que at Janeiro de 2010 no reconhecia actividade da guerrilha em Cabinda, proclamara o fim da FLEC, insistira que representava todas as tendncias cabindesas e qualificara como grupos isolados de bandidos os actuais negociadores da resistncia. Bento Bembe sabe tambm que durante o processo negocial ter de partilhar com os guerrilheiros recm-chegados cargos nas empresas pblicas, postos diplomticos, patentes militares, reformas e regalias em detrimento daqueles por ele beneficiados em 2006, intensificando assim as querelas j existentes no seu crculo de fiis.

Enquanto rodopiam os interlocutores nas danas das preliminares, os principais idelogos das estratgias para o dilogo e busca de uma soluo pacfica para Cabinda esto detidos. Raul Tati, Belchior Lanzo Tati, Francisco Luemba entre outros, foram condenados por actos contra a segurana do Estado, e transformaram-se numa segunda verso de Artur Tchibassa que continua a cumprir uma pena de 24 anos e seis meses, numa priso de alta segurana norte-americana, por uma aco onde responsabilizado directamente Antnio Bento Bembe, suposta pedra basilar das negociaes em curso.

Rui Neumann

(c) PNN Portuguese News Network

2010-08-17 18:45:06

MAIS ARTIGOS...
  Morreu Nzita Tiago, líder histórico da resistência cabindesa
  Guerrilha em Cabinda anuncia novos ataques no enclave
  Guerrilha cabindesa anuncia retoma da via militar
  Guerrilha cabindesa ataca em Buco Zau
  Emboscada da guerrilha causa a morte de três soldados angolanos
  FLEC pede a Marcelo Rebelo de Sousa para terminar o processo de descolonização portuguesa
  Cabinda: FLEC/FAC exige a libertação de Marcos Mavungo
  Cabinda: Raul Tati e Francisco Luemba libertados
  França: Dois juízes antiterroristas querem a detenção de Rodrigues Mingas
  Cabinda: José Eduardo dos Santos demite e readmite Macário Romão Lembe
  Suíça: Manifestação cabindesa em Berna
  Cabinda: Ataque da resistência amplifica divisões na FLEC

Comentrios

Nome:

E-mail:

Comentrio:


PROVRBIOS
"Kupdi tmuka ko: Nti ava kamnina."
(Ningum pode arrancar: A rvore (adulta) que j tem razes.)
Outros
Relatrio da Mpalabanda 2005 (pdf)

Relatrio da Mpalabanda 2004 (pdf)

Entrevista de Dom Duarte ao IBINDA.COM
Cartoon
Hospedagem de Sites Low Cost Jornal Digital Luanda Digital Bissau Digital Jornal de São Tomé Timor Leste Cabo VerdeMaputo Digital
Not�cias no seu site Recrutamento Estatuto editorial Ficha técnica Contactos Publicidade Direitos autorais