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Padre Jorge Casimiro Congo
Simulambuco 120 Anos. Trinta Anos de Ocupao. Uma Memria Selectiva.
1. Introduo

Reflectir uma situao tendo em conta a historia pode correr-se o risco de centrar-se no khronos (tempo) isto , numa soma de datas e factos e esquecer-se do logos (tratado; discurso). Em outras palavras, ter em conta o filo de ideias e filosofias que estiveram na base ou que, indiscutivelmente, orientaram este ou aquele acontecimento. A isto se acresce a situao especfica de Cabinda e, finalmente, eu com a minha carga histrica e o meu estar ao longo destes trintas anos, onde fui, assaz vezes, concomitantemente observador e actor, mas sempre vtima do desenrolar de uma historia vergonhosamente orientada por homens que jamais deixaro marcas.

2. 1974 - O ano do despertar

Vivamos a nossa adolescncia, seguindo, muitos de ns, na maior indiferena e naturalidade a nossa formao, quando o golpe de estado, em Portugal, trouxe ao de cima a particularidade e a especificidade de ser cabinda. Cabinda e o ser cabinda passou a ser o elemento hermenutico de verificao de todos os acontecimentos.

Era a segunda etapa da consciencializao da historia contempornea cabindesa, depois dos anos 40. Todos descobrimos os motivos da nossa razo: para alm do Tratado de Simulambuco, elementos importantes de teor poltico-jurdico como o Mapa das Naes de 1917, aquele da OUA de 1965 e a Constituio portuguesa de 1933 galvanizaram as conscincias de todo o Povo, mormente dos jovens da poca. Figuras como Nzita Tiago e os TEs deram visibilidade aos anseios do Povo. Dai que a fuga para o enato Zaire foi, para muitos, voluntria e recheada de entusiasmo.

Fecha a etapa uma guerra clssica. Comea uma longa e imprevisvel marcha para o futuro, marcada por uma guerrilha. Os entusiasmos esmorecem; Mobutu orquestra os seus acordos e faz o jogo da mosca; a FLEC padece, mas reorganiza-se; os centros de refugiados surgem, as divergncias acicatam os nimos. Perde-se a unidade do movimento. Uns nomes surgem e outros desaparecem. Perdemos, enfim, o comboio para constituir , parceiros e formar, sobretudo, quadros. Ningum fazia a mnima ideia que a viagem seria longa.

3. 1992 - O ressurgir da esperana

Um novo cenrio aparece: o imprio sovitico desmorona-se e os seus sequazes entram em parafuso. Em toda a frica, organiza-se eleies apesar de mascaradas.

Comea a terceira etapa da historia contempornea cabindesa. Esta situao d maior alento guerrilha. No entanto, o elemento mais importante a morte da bipolarizaao: MPLA (Governo angolano) - FLEC. Surge, no interior, uma grande e forte militncia. Esta tem duas fases: a primeira, como sempre, plena de entusiasmo, onde aparecem figuras novas como a de Belchior Lanzo Tati, Afonso Waco que marcam, indiscutivelmente, o tempo e o espao. Procurou-se, fundamentalmente, quer encontrar-se uma ligao com a resistncia quer fincar a sua autonomia nem sempre compreendida. Vm luz alguns agrupamentos polticos de efmera existncia. Perseguies, ameaas integridade fsica, polticas de compra-conscincia, a disiao do ambiente, a monopolizao da sociedade pelo partido-estado reduziram de sobremaneira o espao poltico para o povo de Cabinda. Instaurou-se o cala-boca. Neste momento, como foi sempre, vem ao de cima o papel da Igreja catlica de Cabinda, a segunda etapa. Esta, atravs das suas cartas pastorais e do seu clero, mantm o clima de interveno e de consciencializao polticas.

Encerra a etapa com a plena certeza de que a caminhada para o futuro vai continuar apesar do deserto rido, prpria de qualquer profecia.

4. De Chiloango a Mpalabanda - o retomar da caminhada

A grande conferncia, 8/9 de Julho de 2003, despoletou uma outra dinmica no seio cabinds. A fora saiu dos templos, no dizer do profeta Ezequiel, para poisar sobre uma populao com mostras de adormecida. Uma juventude sedenta de liberdade liberta-se dos bairros para descer aos centros da burguesia. Uma grande franja de intelectuais assume o basto, gerando novos intervenientes como Agostinho Chicaia, Marcos Mavungu, Alexandre Sambu, etc.... Estes deram caminhada no s o vigor de juventude, mas, principalmente, o saber e reflexo.

A etapa culmina com a fuso da FLEC, na Holanda. O nome de Nzita Tiago retoma o seu lugar na historia pela sua capacidade de rejuvenescer-se e Antnio Bento Bembe impe-se como um dos lderes mais importantes do cenrio cabinds actual.

5. Aqui estamos

1/o para recuperar a Jerusalm perdida.

Todo o cabinda, mais ou menos atento, tem a percepo que urge recabindanizar Cabinda e o cabinda. Uma das tcnicas usadas pelo ocupante , sem duvida, tirar a face de cabinda ao cabinda. A recuperao da cultura, designadamente, os nomes, a histria e o Ibinda so de importncia capital. O ibindogus imposto at aos intelectuais; as danas do Kwitu, popularizados num carnaval importado e politizado; a introduo abusiva de figuras estranhas ao cabinda em ruas e festas vai formando, em Cabinda, uma espcie de massificao e uniformizao, onde todos so iguais e ningum no nada. Este processo no s consciente, mas com estratgia, mtodos e etapas. Afirma-se que daqui ha uma dcada vai nascer um outro povo chamado cabangolenho. Este cabangolenho caracteriza-se pela falta de uma historia; sem lngua, nomes ocidentais que mastiga o funji.

2/o para separar as guas.

Ao longo desta historia, muitas vozes se levantaram e muito babel se instalou entre a resistncia cabindesa. Holanda teve o condo de aclarar a situao. Neste momento, impe-se determinar os critrios de credibilidade para todos aqueles que pronunciarem o nome Cabinda. Poderamos cristaliz-los nas seguintes interrogaes: onde est, como est e com quem est Se a primeira e a segunda interrogaes (onde est/como est) podem ser apenas indicativos, j o terceiro (com quem est) determinante. Estamos cientes que a FLEC, apesar dos pesares, vai se impondo como a nica organizao capaz de representar o Povo de Cabinda. Toda e qualquer FLEC com mais um adjectivo, acaba, paradoxalmente, por ser uma no-FLEC. A Mpalabanda , neste momento, a organizao cvica, do interior, com credibilidade. Conclusivamente, diramos que, agora, j no ha nada para inventar no cenrio poltico de Cabinda. S esta limitao scio-politica poder instilar credibilidade na aco da resistncia cabindesa.

3/o para gerar parcerias.

Estamos condenados a encontrar algum que nos compreenda e nos d uma mo. Importante corrigir a tendncia em procurar apenas pases para apoiar a resistncia. Consegui-los deveras importante. No entanto, a globalizao enfraqueceu os democratas e recicla os ditadores, acabando por entoarem a mesma sinfonia. Por isso, necessrio que se tenha uma diplomacia que incida sobre o povo destes pases. Estes esto longe do cheiro do petrleo e, consequentemente, mais abertos ao grito dos oprimidos. Nesta ptica, tambm mister encontrar, mesmo no seio do povo angolano, indivduos e organizaes que possam estar ao nosso lado. Ss, Cabinda estar mais s.

Concluso

Simulambuco est cada vez mais vivo graas quer a uma srie de trabalhos acadmicos srios quer revitalizao do discurso poltico cabinds. Trinta anos de opresso e maus-tratos; de marginalizao e de empobrecimento; de perseguio e de prises arbitrrias; de esquecimento e de chicote e basto impiedosos. Virando-se para o passado, parece que nada se conseguiu. Olhando para o futuro, brilha o desespero. Estratgias de morte so montados dia aps dia. O ocupante joga com os nmeros. So muitos; tm muito armamento; tm muito dinheiro; tm muita fora diplomtica; tm apoio da Amrica, etc... Ns? Apenas um punhado de oprimidos e vtimas da sua prpria riqueza! No entanto, aqui esta outra vez um David diante de um Golias. Quando vemos a incapacidade do MPLA e do Governo angolano de organizarem um comcio, em Cabinda, conclumos que j perdeu. A sua presena apenas militar. Quando a poltica morre, tudo perde vida e justificao; a fora militar apenas demonstrao de impotncia. Por isso, os polticos calaram-se e, neste momento, s berram os generais como se todos estivssemos numa parada. Vamos contando regressivamente os dias. Todas as esttuas de pernas de barro acabam por ruir.

PROVRBIOS
"Kupdi tmuka ko: Nti ava kamnina."
(Ningum pode arrancar: A rvore (adulta) que j tem razes.)
Outros
Relatrio da Mpalabanda 2005 (pdf)

Relatrio da Mpalabanda 2004 (pdf)

Entrevista de Dom Duarte ao IBINDA.COM
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