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Padre Joo Baptista Ngimbi
Mensagem a D. Paulino Madeca, aos colegas no sacerdcio e ao Povo de Cabinda na morte do padre Faustino MBuilo
Peo desculpa, antes de mais nada, pelos lapsus eventuais que poderei cometer. No se trata de uma falta de respeito da minha parte.

No sem consternao que tomei conhecimento da morte do mui reverendo padre Faustino MBuilo, no dia 13 de Agosto de 2005, um pouco perto da festa de Assuno da Nossa Senhora. Partilho a emoo geral diante do caixo do padre Faustino que a morte levou com a Idade de 79 anos.

Sei que pairam entre ns muitas interrogaes. Depois da morte do padre Pitra, num espao de um ms acontece a morte do padre MBuilo. Juntando isso com a conturbada situao da Igreja em Cabinda como no ter indagaes misturadas com a dor ? No imagino a dor da sua famlia e de D. Paulino, seu colega. Todos estamos chocados por esta morte. Mas a nossa presena amigvel e a nossa orao fraterna so os blsamos capazes de ajudar para suportarmos mais esta prova, no seio do Clero binda. Acredito que o fim da existncia, o encontro com Deus, cheio de carinho e misericrdia e que acolheu o padre com o que ele tinha de melhor.

Minhas irms e meus irmos, como sabemos, a religio enriquece as civilizaes. Ela esfora-se por pr alto o olhar em cima das contingncias acidentais. Tambm deve ela sobretudo adoptar as situaes profanas para melhor jogar o seu papel civilizador e fazer escutar a sua mensagem. neste sentido que o cardeal Suhard, afirmou que no se pode fazer um trabalho srio num lugar que atravs dos homens (mulheres) daquele lugar. Simulibus curantu.

A religio no um pronto a vestir. Ela est sempre em relao. De um lado h a ideia de imutabilidade nesta relao, de outro h um dinamismo. Deus no muda mais que Ele prprio. Mas a sua verdade em ns tem muitas maneiras de mudar. Com efeito, na medida em que progredirmos, ela progride. E, se ns no progredirmos, ela permanece esttica. No podemos continuar a amar Cristo sem O descobrirmos cada vez mais.

Caros irmos e irms, o padre Faustino que acaba de nos deixar foi um homem trabalhador, um homem de valor da vida. Um lutador pelo bem estar dos seus irmos mais sofridos. Para ele, a formao das pessoas era a nica alavanca apta a libertar a grande maioria do ferrete de subdesenvolvimento que as marca e elevando-as a um teor de vida e tambm o processo mais vlido de uma evangelizao que no se compadece com um estado de permanente infantilidade cultural. Razo pela qual, durante toda a sua passagem na terra foi um cavalo de batalha pela dignidade da pessoa atravs da formao. Para alm desta sua belssima participao no projecto de Deus de fazer a pessoa cada vez mais digna, uma coisa guardo deste padre: a sua coragem de enfrentar as dificuldades com verdade e realismo.

Neste momento em que ele j est gozando junto do seu Pai celestial no cus onde olha para ns como intercessor e que j se encontrou com D. Muaca, Franklin, Puati, com os padres Srgio, Apoio do Povo e padre Pitra, quero confiar-lhe algumas preocupaes da nossa Igreja e do povo de Cabinda para serem transmitidos a estes ancios que j entraram na intimidade com Deus:

1. O favor de lhes dizer que a Diocese de Cabinda est em vias de desaparecer. Isto por causa das nossas brigas, imprudncias e arrogncias.
2. O favor de lhes dizer que a parquia dos indgenas foi fechada e padres suspensos.
3. O favor de dizer lhes que ns os padres tornamo-nos incapazes de ensinar, de construir e de perdoar. Ainda estamos na luta de classes onde tudo se resolve margem do Evangelho.
4. O favor de lhes dizer que o povo de Cabinda est cada vez mais pauprrimo. E ns, os padres, por causa dos prazeres deste mundo, tornamo-nos capazes de sacrificar os interesses deste povo que nos viu crescer e pr em risco a vida muitas pessoas.
5. O favor de lhes dizer que a mulher cabinda perdeu a sua dignidade, pois continuamente violada sem trguas. At crianas de 10 anos so violadas no interior do enclave.
6. O favor de lhes dizer que por causa daqueles que vieram a este mundo s para dominar e ensinar a violncia, o reconhecido e acolhedor povo de Cabinda, aprendeu a violncia e tornou-se violento

Senhor padre MBuilo faz tudo para exorcizar esta diocese. No te vou dizer yenda ma lembe, peo que intercedas pela sade desta Igreja e do Povo de Cabinda. Intercede por ns junto de Jesus, o Bom Pastor: a estima entre ns, o amor do trabalho em equipa, na verdade e realismo, como o seu exemplo nos ensinou.

Se os mortos, segundo a nossa f, no morrem, ento senhor padre, por favor introduz-nos no comboio da reconciliao total e profunda. Sei que, na nossa ultima conversa, no dia 14 de Julho deste ano, falou-me da reconciliao. Ficmos com esta misso.

A sua batalha pela dignidade da pessoa, atravs da formao, agora no ter limites para o beneficio das vtimas inocentes. Por favor suplica pela sade da nossa Diocese e pela paz do nosso abenoado territrio. Somente depois destas duas splicas que te peo dizer yenda mu ma lembe vandji, bika ku tu zimbakana, ibila isalu chi wombo chisiele.

PROVRBIOS
"Kupdi tmuka ko: Nti ava kamnina."
(Ningum pode arrancar: A rvore (adulta) que j tem razes.)
Outros
Relatrio da Mpalabanda 2005 (pdf)

Relatrio da Mpalabanda 2004 (pdf)

Entrevista de Dom Duarte ao IBINDA.COM
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